Quando olho para o vazio de seus olhos
E percebo que não é minha falta de visão,
Mas sua falta de respeito pelo outro
Que embaça nossa relação,
Eu me pergunto o motivo de sermos tão diferentes...
Não são meus passos claudicantes
Apoiados na bengala que atrasam nossa história,
E sim seus olhos perfeitos
Ligados a um coração tão doente
Que não quer ver o que é gritante.
Deficiente não sou eu que se vence todo dia,
Mas o sadio que nem sequer se desafia.
Não me limito pela lógica ou a razão;
Prefiro tentar encontrar outra solução
Para os problemas reais do dia-a-dia.
Não são minhas rodas que disputam com seus pés
Ou atrapalham a rotina de sua vida;
Não é meu cão quem te guia para longe
Ao invés de ser cortês e ao menos dar "bom dia"
Numa lotação que segrega o que deveria ser inclusão.
Não é um cão, uma bengala, lupa ou aparelho auricular,
Nem a língua dos dedos que você não sabe falar,
Não é meu rosto infantil, minha bolsa especial ou minha forma de andar
Os responsáveis pelo abismo social que teima em nos separar,
Mas a mania estranha de algumas pessoas buscarem padrão onde não há.

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